¢hªº§*Os Falsos Hai Kai
Monday, September 22, 2008
  Lobo / Loba
Foi a primeira pessoa
Que me tratou como homem
E não como animal
Naquele grupo em São Paulo.

Foi a primeira mulher
Por quem meu coração disparou
E sem ser correspondido
Naquela grande São Paulo.

Se divertiu com minhas discussões
Aplaudia minhas palavras
Bebia mais que eu
E eu a amava por isso tudo.

Foi um beijo singelo
Mostra de amizade.
Eu acho.

Foram palavras verdadeiras
Prá mim, ela não só tinha salvação
Mas poderia me salvar também.

Eu era um lobo entre os homens
Ela uma loba em seu nome.

Me beija.
Me salva.

Saudade.
 
  Poema mântrico de amor (?)
Esperança e ilusão
Como o prato do dia
O restaurante é a vida
A sobremesa, o amor?

Expectativa e desejo
Servidas na mesa
Sou garçom e cliente
E prá beber, um amor?

Saudade de alguém
De um ano atrás
Três semanas à frente
E o que é o amor?

E me encontro pensando
Em comida e menina
Comida-menina
Menina-comida
Comida-menina
Menina-comida
Comida-menina
Menina-comida


Mas o que é o amor?
 
Tuesday, February 26, 2008
  Morte.
O grande momento da vida

O que eu poderia dizer?
Não sou aquele quem tem deitado contigo,
Nem quem tem te amado,
Mas certamente gostaria...
Ah,como gostaria...

Toda tua pele e teu cheiro,
Quem dera o poder de tocar
Tua pele e arborizar-me
Como um animal faminto
Sucumbindo ao desejo
De tornar-se parte de algo
Infinitamente maior que tudo.

Mas quem pudera,
Um dia ainda não reclamar,
Da tua outrora companheira,
Aquela que nos fere,
Aquela que diz
Que realmente nos ama,
E nos trai.

Me permite vivenciar,
Experienciar ,e tentar explicar
Todo o movimento convexo
De sua própria mente...

Mas esqueça-a...
Esqueça-a...
 
  Dias do Passado do Futuro
Ainda ontem me lembrava
Que hoje estava andando
E me deparei que a três passos
Eu estava parado
E lembrei de uma música
Há 20 minutos antes de tocar
Eu já a ouvia
Como vai destruição?
Toda sua formosidade
Sigo o caminho da minhoca
Me deparo comigo mesmo
À três passos do destino,parado
E me surpreendo
Quando na rua finalmente
Estou bocejando parado.
 
  Deus da morte e do sofrer
As ruas sangram aos seus pés enquanto passa
O vinho evapora e os cigarros se apagam.
As meninas sufocam suas palavras débeis
E os garotos, em sua loucura se agarram.

As ruas choram enquanto nenhuma palavra é dita
E todas as pessoas gritam lentamente.
A lua brilha vermelha e negra como o sinal
De que todos nós morremos finalmente.
 
  O Technomante
Eu caminho por onde o Sonho é real.
Eu sou um Bufão Onírico Infantil.
Eu sou um Índio Technopata no coração de São Paulo.
Eu sou um Demônio Gargulídeo num Inferno Pessoal.
Eu sou um Pintor do começo do Século XX.
Eu sou um Rapaz Elegante de vestes caras e especiais.
Ainda sou.
Ainda fui.
Como fui se eu sou?
Eu caminho por onde o Sonho é real.
Apenas sei.
Eu caminho por onde o Sonho é real.
Nunca é só um sonho.
Nunca.
 
  Os olhos azuis
Esses olhos azuis de quase vinte anos atrás,
Que (re)encontrei numa esquina chuvosa
Tão diferentes do que eram antigamente
Mas tão parecidos com o que sou agora.

São esses olhos azuis de quase vinte anos atrás,
Que dividiram seu guarda-chuva comigo
Sentaram por horas e horas ao meu lado
E no final da noite sorriram anestesiados de sono.

Foram dos olhos azuis
De vinte anos atrás
De quem roubei um beijo
Infantil.

Foram dos olhos azuis
De vinte anos atrás
De quem roubei um beijo
Adulto.
 
Tuesday, February 19, 2008
  Momentos
(da lua e de nós)

É um momento futuro
Querer ver seu rosto branco
Pintado na escuridão
Seria como te dar a lua.

É um momento presente
Olhar direto nos seus olhos
Sem poder tocar teus lábios
Enquanto te dou minha lua.

É um momento passado
Lembrar do riso sem-graça
Dos corpos trêmulos
De quando te dei uma lua.
 
  Momentos
(dentro da sala de aula)

É de quando ela entra na sala
E seus olhos parecem me procurar
Sempre como da primeira vez.

É de quando ela pisca para mim
E seus lábios esboçam um sorriso
Sempre como uma primeira vez.

É de quando ela me toca rapidamente
E meu corpo inteiro estremece
Igual ao da última vez.

É de quando nos falamos baixinho
Rostos pertos ou não
Igual se fosse uma última vez.
 
  Dos Falsos Hai Kai...
Quando ela fala
Parece que fala
A minha fala
 
  Devaneio #1
Meus planos eram poucos e duvidosos
Sem romances nem cantigas.
Meus sonhos eram vagos e calmos
Sem rostos nem corpos.
Meus desejos eram plenos e certos
Sem você nem ninguém.
 
Monday, February 18, 2008
  Se...
(The Nathi's Song, versão 1)

Se todo amor verdadeiro não fosse ilusão,
E ambas as pessoas se amassem por igual,
O mundo certamente seria um lugar melhor.

Se todas as palavras ditas sem pensar,
Fossem apenas palavras, e não pedras,
Quem sabe, eu teria você do meu lado.

Mas quando o amor deixar você
Totalmente sem palavras,
Cheia de dúvidas e dores,
Você poderá vir me procurar.

Se tudo o que o sol iluminasse de manhã
Não fosse cinzento e inanimado,
O mundo certamente não seria tão cruel.

Se cada lágrima que se espalha pelo seu rosto
Fosse apenas orvalho novo de mil flores,
Quem sabe, você pudesse estar ao meu lado.

Mas quando o amor deixar você
Cinzenta e sem-graça,
Sem flores, quaisquer cheiro,
Você poderá vir me procurar.
 
Sunday, February 03, 2008
  Réquiem para a morte do poeta que se mutilava

Sabe aqueles dias que você acorda e encontra no gosto da própria boca a sensação de que algo que estava perdido pode voltar à qualquer instante? O sono atrasado quase uma hora só é percebido pela mensagem de texto no celular aceso no escuro do quarto...ela estava prá chegar na cidade, domingo à tarde, e eu não fazia de quanto tempo ficaria, mas sabia que teria de desmarcar toda a minha programação pessoal, de um jeito ou de outro, e ficar livre por total para ela. Não foi dificil...duas ligações, um almoço rápido, roupas para lavar e aspirador no quarto.

Ainda consegui duas horas sentado no sofá cantando "Trem das onze" e "I will survive"...

***

Um filme de direção duvidosa e duas garrafas de vinho prá me animar e soltar a língua...ando gaguejando nos últimos dois anos, e ela me convenceu de que é por culpa do trauma do assalto. Perco três estalos de língua e ganho uma gagueira...pelo menos, penso no que falo agora...gaguejar me dá tempo prá isso. Tempo prá perceber que o tempo passou e nunca foi o perdão dela, aquele que eu achava estar procurando, mas o meu próprio. Então...onde ela se encaixa nisso tudo?

Na visão dela, poderia ser paixão ou até mesmo o sentimento de culpa reprimido inconscientemente se manifestando e a procurando. Espero realmente que não. Do lado dela não apenas consigo estar à vontade e também não sei explicar por que. Gosto de sentir o cheiro do cabelo dela quando anda na minha frente e qualquer toque da mão dela na minha parece fazer todo o tempo párar...e por um instante, só por um instante, meu sorvete de chocolate não caí de encontro ao chão.

***

Já tive um pensamento, há muito tempo atrás, de que o Amor se escrevia assim, letra maiúscula. Porém não era este o mesmo amor que Shakespeare havia pregado no subconsciente humano, de se matar e morrer por amor, e sim algo mais geral, algo incondicional. Ela me afirma suas palavras afiadas e acaba me machucando, mas isso é o de menos, pois suas palavras só dóem por que nelas existem pingos de verdade. Pingos que caem na testa e nas mãos pregadas numa cruz tão pesada quanto minha culpa. E se deixo a cruz cair, minhas mãos são destroçadas...cada pingo é veneno, e tal qual Loki na caverna, Jesus na Cruz, Odin pendurado na árvore, continuo ali, sacrificado para mim mesmo, ouvindo suas palavras e procurando o caminho de volta para casa. Amor e Paixão, e não sinto, hoje, que seja quaisquer das duas o que sinto.

***

Acordo suado, meu corpo sobre o dela. Sem acreditar no que aconteceu. O sentimento momentâneo é o de terror, de algo estar errado e esse algo errado, caio por mim, sou eu. Então, no momento seguinte ao sonho, acordo suado, meu corpo sobre o dela...

A mente gira, o gosto do corpo e do beijo tomam conta da minha boca e tudo o que existe são dois corpos nus em uma cama bagunçada. Vergonha e culpa reprimidas me põem ainda mais para baixo, e não só a falha de comunicação entre a mente e o andar de baixo do corpo me dominam e me mutilam, pane no sistema...mas também o pensamento sórdido de que não estou no mesmo patamar, grau, altura e degrau que essa menina. Traumas antigos, falhas na matrix...pensamentos ruins.

E acordo suado, meu corpo sobre o dela.

***

Acordo uma vez mais, desta vez, sozinho. Não na mesma cama, não poderia dormir sentindo seu cheiro por toda a noite. Acordo na outra cama, me levanto e desço para a cozinha. Meio pedaço de pão e duas canecas de leite com chocolate são suficientes. Um cigarro na varanda e volto para o quarto, dar uma última cheirada no lençol e me proibir de fazer isso novamente.

***

Uma última suspirada. Dia seguinte e acabo percebendo o quão idota e inseguro fui. Nesse suspiro, se esvai toda a tensão e me dou por mim mesmo. Começa com um sorriso...termina com uma gargalhada.

Não sei ainda o que sinto...estou tentando me certificar se é paixão.

Não sei ainda o que sinto...estou tentando me certificar se é amor.

E o poeta, morrendo para alguns...renascendo para outros, me diz que a distância não é muita, e a vontade não é pouca...

"...mas acredito que este meu luto me diz que eu morri
para muitos, que eu me perdi pra mim, que eu fui
somente um talvez para alguém..."

trecho retirado de "De repente o talvez", fonte http://ultimascronicas.blogspot.com/ , prof. Gasparetto.

 
  Pariquera-Açu, 2007
Estava sonhando com você
E tudo ao nosso redor

Se desfazia em mil flores.

Corríamos corpo contra corpo

E no universo à nossa volta

Todos paravam para assistir

O instante único

Quando nos tocamos.

 
  Vida bandida
No antigo retrato, ela sorri
E o sorriso é sempre para mim.

Longas covinhas no rosto

E olhos negros miúdos

Cabelos negros, pele branca.

Como num sonho

Seu sorriso é para mim.

Quantos anos se passaram?
E a vida continua,
Uma filha e um marido…
E eu, somente desilusões.

Mas no retrato,
Ela ainda sorri.
E esse riso infantil
Ainda é para mim.

 
  Na escola
Algo no jeito d’ela falar
Me lembra o tempo que perdi

Tem algo no seu jeito de andar

Que me aperta o peito ao passar

Qualquer coisa ao vê-la brincar

Me faz querer estar por perto

Todas as palavras que ela me grita

Me acertam com maldade
 
  Ana Flávia
Há poucas garotas hoje em dia
Como a pequena Ana Flávia

Que se desviam de palavras

E nunca ficam caladas

Ela não se cansa facilmente

Corre e brinca alegremente
 
  Canto pra Pai Corvo
Canto pra Pai Corvo
Está um pouco triste
O tempo e o vento
Está um pouco velho

Rapaz de bem

Está um pouco doente

Ilusão à toa

Muitos de nós ainda te amamos.
 
  Desafino
Algumas cervejas e maconha
Foram o que estavam
No lugar das minhas lágrimas.
Um violão e meu canto
Ambos desafinados.

Não como o que sinto

E tentei romanticamente

Te mostrar que ainda te amo.

Mas você, pobre de mim

Não percebeu.
 
  Cavalo Selvagem
Como um cavalo selvagem
Peito nu ao vento
E a longa cabeleira
Corro pra você
Vejo você, a minha Lua
Cheia de Amor
Repleta de carinho
Me cavalga
Como um cavalo selvagem
 
  A balada do não-poeta

Queria eu, o não-poeta,
Jamais ter te abandonado
Jamais ter percorrido de volta
A longa estrada que nos afastou.
Queria eu, o não-poeta,
Jamais ter te magoado
Jamais ter corrido para longe
Do teu doce coração.
Queria eu, o não poeta,
Ter você aqui, do meu lado
Ainda hoje.
Ainda agora.

 
  Tambores e pinturas
Rufam juntos o som único
Mil tambores em meu peito ferido
Clamando por teu retorno

Antigas cicatrizes de guerra

Escondidas debaixo da pintura-ritual

E sob a lua minguante
Carinhosamente
Um beijo
E na cama ao lado da minha
Nossos corpos enlaçados

Banidos do tempo
Banhados em suor

Mil tambores em meu peito ferido
Rufam juntos o som único

 
  Santos, 2007
Aonde foi parar a minha vida?
Numa praia de Santos

Vendendo flores e sorrindo

Tão longe de mim

Naquele vestido negro colorido

Tal qual todas as cores da noite

Já não mais do meu lado

Falando sobre Deus e sobre Amor

Tomando vinho

E censurando meus cigarros
 
  Sobre a última noite
No seu riso, ela canta
Sobre Deus e sobre mim

O teu corpo pesado

Me cavalga loucamente

Por toda a noite

Você e eu

Deuses pagãos

Vinho barato

Amo você loucamente
 
Thursday, January 10, 2008
  Esconderijo.
Estava procurando um esconderijo
Aonde pudesse afastar as lembranças
Felizes e tristes
Que guardo de você.

Procurei um navio que me levasse
Ao mais distante possivel
Da dor e do amor
Que escondo de você.

O melhor esconderijo
Estava, por ironia do destino
Dentro do seu coração.

O melhor esconderijo
Estava, por culpa da vida
Dentro do meu coração.
 
Saturday, December 15, 2007
  Os falsos Hai Kai
Meu Dharma
Um beijo seu
Tudo ao redor
Inexiste

Meu Karma
Uma lágrima sua
Tudo ao redor
Desmorona
 
A arte em sua tentativa de ser transportada de uma realidade individualista à um mundo aonde não será interpretada corretamente. Lágrimas e poeira em um teclado.

My Photo
Name: Pedro Rafael Rodrigues
Location: Pariquera-Açu, São Paulo, Brazil

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